quarta-feira, 15 de maio de 2013

CASA GRANDE & SENZALA: Reflexões acerca do exercício da proximidade e/ou alcance do oprimido ao exercício do “poder” numa perspectiva de projeções, possibilidades e realizações.


Por Adriano Pereira1


O que faz O Senzala na condição de Casa Grande: dilatar o fosso social ou tentar construir a melhoria em primazia de sua condição original? Intencionalidades, Projeções, Ideologias, Perspectivas e Possibilidades...


Ontem estive na senzala cuja, juntamente aos meus fraternos congêneres construí com meus esforços, idéias e projetos. Vivia ali tranquilo, pacato, parado... Até que um dia convidado a transitar minha vida na divisa entre o meu habitat e a oposta e imponente Casa Grande passei a ter uma dicotômica e projetiva vivência e convivência.

Por lá passava da aurora ao crepúsculo convivendo com o senhorio. Projetava-me naquele universo sociocultural elitizado, mesmo na condição temporária e meramente de companhia e subserviência em labores servis.

Neste novo patamar de minha hetero-vivência (vida alheia/para os outros), reprojetei-me numa também heteroessência (essência alheia). Alheio a mim, passei a ser contemplativo da vida de senhorio. Adentrei-me nesta vida e dela delineei-me integrante, embora dela não gozasse em autonomia e participação ativa. Sequer fui proprietário das benesses que dela decorrem...

Nas sendas crepusculares do meu pensar, retomava-me senzala. Filho da senzala, nela estabelecido já não mais dela assemelhava-me. Uma vez no senhorio, maquilei-me senhorio.

A essência torturava-me no encontro com minhas limitações, sem perceber que na companhia do senhorio nada mais fazia que consolidar o fosso divisor entre Casa Grande e Senzala.

Agora de nova indumentária, maquilado no entorno social verticalmente privilegiado, às más-fases da minha velha essência, por minha parte, resta o abandono em primazia do exímio gozo das benesses que por mim são avistadas. Estou com os senhores. Reprojetei-me senhor...

            Tempos bons, mas tempos de efemeridades, passagens, duração limitada e o regresso ao habitat natural fora inevitável... Estou o que sempre fui e que realmente sou, embora tenha distanciado periodicamente: cativo, senzala...

            Em parcial e também avessa paráfrase à ideia enunciada em conhecida música brasileira interpretada com grande êxito pela cantora Elba Ramalho, estava eu de volta pro meu (des) aconchego, não portando na mala sequer um resquício saudoso. Saudoso estava apenas de minhas passagens projetivas pela outrora instantânea e oportuna pompa...

            Descaracterizado e distante de mim não me essencializei, abdiquei aos meus pares, fui exímio opressor dos meus congêneres e fraternos em atitudes e apoios, em falas e em silêncios. Desfraternizei-me...

            Recaracterizado pós-demaquilagem, volto a peculiarizar-me às minhas raízes. Regresso matéria-prima, custosa a agregar valores por mim outrora renunciados em apriorismo aos desígnios do elitismo. Mais sofrido que reconstituir-me fora assumir embora silenciosamente a minha colaborativa responsabilização por ter sido fiel tributário da dilatação de minha condição de oprimido. Não fui classe, fraternidade, união e amor... Homicida em causa própria: suicida... Fui corda e chicote...

 No pseudo-período de senhorio, pelos devaneios e insanidades de minhas também pseudo-projeções fui veladamente colaborador do cativeiro social que assola meu ambiente original e hodierno com máculas que podem se estender por tempos distantes.

Não cativante fui sempre míope cativo. Projetor e construtor de alçapões...

Na vida as alienações são processos, quando não intencionais, tardios de percepção. E o pior: o alienado é alienante. Multiplica seu caractere.

 Os desvelamentos são demorados, haja vista a forma velada como nos são postos os véus. Desalienado e demaquilado destoei-me do véu que cobria minha face e percebi o quão alheio a mim foram meus atos. Fui legitimamente opressor de mim e cativo do senhorio.

Ontem na Casa Grande, hoje na Senzala, percebo explicitamente que embora distante fui exímio arquiteto mais desta que daquela. Arquiteto de ruínas... Redator de anacolutos...

Ali tudo fui, exceto um legítimo senhor de verdade. Fui mucama que alimenta e revigora. Revigorei e alimentei a opressão dos meus originais e fraternos congêneres, simples e unicamente pelo incondicional apoio que relegava ao senhorio em proveito de pequenos confortos que não ultrapassavam os limites do exíguo prazer de com os grandes estar, contribuindo para expandir a sustentabilidade corruptiva e predatória.

Fui também capataz – revolto comigo mesmo no plano essencial tomei a bandeira de detentor de armas e tenaz defensor das “causas superiores” na defesa do contrassenso da luta em prol da caça a mim mesmo, fui míope autopredatório.

 Enquanto capitão-do-mato – Na condição de caçador que também é caça, vilão vitimado, fui um grande caçador de recompensas e predador da própria espécie, num ato de autodelação e canibalismo fui delator e opressor dos meus pares.

Levei a demagogia ao plano da ação. Fui à luta! Encarei-os (congêneres) de perto, mirei-os e descarreguei-lhes pesada artilharia em prol da “civilidade” e da “ordem natural da sociedade e do poder estabelecido.” Blindei meu senhorio, cobri-lhe com uma redoma. Fui massa e massificador! Síntese de antíteses, agente de contradições...

A compulsoriedade da recaracterização em meu retorno a mim mesmo, desnudou-me da minha condição opressiva.

Toda posse daquilo que não nos é pertencente e/ou natural constitui um furto ou no mínimo um alheamento. Assim voltei a mim demaquilado, despido, descalço e recalcei-me com a dura sandália da humildade. Pós – despido, retomei meu indumento original e mantive a demaquilagem.

Demaquilado, descobri tempos depois que sempre fui cativo não somente do senhorio, mas de minha história, de minha essência e de minha abalada e escassa remanescente fraternidade...

Chicote na mão, corda na outra, fora cativo alforriado do senhorio. Ainda cativo de meus ideais e de meus desígnios busco o senhorio de mim.

Qualquer semelhança e pertinência é fruto de mera coincidência...


Campo Formoso, Bahia, Terra das Esmeraldas, das Grutas, do Sisal, dos Minérios e, quiçá, do desvinculamento do exacerbado patrimonialismo e da autopredação social e classista, 15 de Maio de 2013.


Atenciosamente,

            






           
Prof. Adriano Pereira.
1 Professor da Rede Municipal de Ensino de Campo Formoso desde 2002.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

“QUEM SABE FAZ A HORA, NÃO ESPERA ACONTECER”: APONTAMENTOS ACERCA DO MAGISTÉRIO PÚBLICO MUNICIPAL CAMPOFORMOSENSE NUM DUALÍSTICO CENÁRIO DE PERSPECTIVAS E VULNERABILIDADES.


Por Adriano Pereira1



A música “Pra não dizer que não falei de flores” que inclui a primeira citação do título deste texto é do cantor e compositor Geraldo Vandré e foi composta no ano de 1968. Esse ano foi marcado por diversos acontecimentos tanto no Brasil quanto no mundo. Foi um ano que marcou a história mundial em todos os seus aspectos, sendo que depois de 1968 o mundo nunca mais seria o mesmo.

No Brasil, foi imposto o A I-5 e houve o surgimento de movimentos como a Tropicália, etc.

A canção foi composta em plena ditadura militar , quando o governo Médici prendia , torturava e exilava muitas pessoas.

Havia a censura no teatro, na TV, no cinema, na música e até nas universidades, o que impossibilitava a germinação de uma cultura crítica. Por esses motivos, surgiu naquela época uma efervescência de movimentos contrários à ditadura. É nesse cenário que a música entrou como um importante objeto de protesto utilizado nas passeatas pelos diversos grupos de manifestantes.

“Pra não dizer que não falei de flores”, também conhecida por “Caminhando”, foi a vice-campeã do 2º Festival Internacional da Canção e foi considerada um hino contra ditadura por ser uma afronta direta ao governo e à tortura a que alguns eram submetidos pelos militares.

Em seus versos, Vandré cita a luta armada e a imobilidade das pessoas que defendiam a diplomacia, critica os movimentos que pregavam “paz e amor”, mostrando que de nada adiantava “falar de flores” àqueles que atacam com armas. Por esse motivo, a canção foi proibida e Geraldo Vandré teve que ir para a Europa e durante anos foi completamente esquecido pelo público.

Em tempos de espinho é imprescindível falar de flores, almejá-las, apreciá-las, na tentativa de equilibrar êxitos com dissabores, claro que no prevalecimento daqueles sobre estes.

Quanto às armas cada um empunha as suas em conformidade com sua intencionalidade, seus predicativos, suas ideologias...

Parafraseando subtextualmente Drummond o qual em linhas gerais cita que não sejamos poetas de um mundo caduco, tampouco cantemos um mundo futuro, é preciso que vivenciemos o hoje e aqui. Neste sentido é necessário se acrescentar que a vivência hodierna deve constituir-se num devir contínuo e não num retrocesso, seja no plano dos objetivos, seja nas conquistas que não devem estar fadadas ao atraso, mas ao progresso.

Não temamos o exílio, tampouco as armas. No âmago de um desbravador a luta sempre vale a pena desde que justa, séria, equitativa e honesta.

Que as nossas armas sejam os nossos ideais de justiça e união...

Que o nosso exílio seja algo inconcebível, pois exilar-se é de alguma forma refugiar-se, alienar-se...
Que a nossa CONJUNTURA seja CLASSISTA para que formemos uma identidade e a partir desta identidade formada possamos ser dignamente respeitados na plenitude cidadã mantendo o equilíbrio entre direitos adquiridos e deveres a seguir...

Que a nossa causa seja SUPRAPARTIDÁRIA, pois partidarismos são unilateralismos, geram extremismos e reduz o foco de visão e atuação...

E, sobretudo, que a nossa política seja a POLÍTICA EDUCACIONAL, imparcial, focada, voltada ao crescimento e à qualidade do ensino e da valorização doa agentes envolvidos em prol da consolidação de uma cidadania equitativa.

Pois bem, assiste-se no atual cenário do nosso município a uma tentativa retrocedente de subtração de direitos devidamente conquistados pelo Magistério. É preciso que as autoridades tomem a educação enquanto um patrimônio indelével e que os direitos auferidos constituam-se enquanto causas pétreas, não vulneráveis a Atos Institucionais (analogamente ao período de ostracismo e opressão da recente história brasileira).

Educação é além de tudo que se possa falar um processo de transposição didática de conhecimentos e de reflexões. Neste sentido é de elevada periculosidade a transposição de dissabores, frustações, redução da cidadania. Será este o modelo transposição que devem nortear as ações governamentais, a política pública e a práxis pedagógica? Acredito que não! E, neste sentido é proveitoso enfatizar que somos reflexos do que vivenciamos. Portanto, subtração de direitos, gera subtração de qualidade educacional.

Educação é acima de tudo uma soma. Soma de melhorias, ampliação de oportunidades, satisfação e crescimento profissional. Na contramão da acenada subtração é preciso pensarmos numa expansão de valorização, para que esta chegue a todos que a almejam...

Mudando de cenário, seria mais conveniente, aplicável e necessário promovermos um fórum de debates, encaminhamentos e pactos com foco no crescimento da carreira, numa perspectiva holística e humanística em prol do verdadeiro do sentido da educação que é projetar, consolidar e crescer, assim, urge que arrolemos alguns questionamentos sugestivos:

·   Por que não discutirmos a nossa Política Pública Municipal, formarmos um pacto pela educação de qualidade num planejamento decenal como já se preveem o PME (Plano Municipal de Educação) em consonância com o PNE (Plano Nacional de Educação)? – Um município que não para a fim de discutir e efetivar a sua política pública com foco no crescimento assim como uma escola que não reflete colegiadamente a sua proposta pedagógica estão fadados ao fracasso, ao automatismo, ao condicionamento behaviorista e à alienação política em amplo sentido. Não forma, não transforma e assim, também não progride...

É preciso sabermos quem somos, onde estamos e pra onde vamos, mas numa perspectiva valorativa, consensual, equitativa, pertinente e, sobretudo qualitativa.

·    Por que não discutirmos o futuro do nosso Instituto de Previdência (IPCF) que se encontra fadado a reiterados parcelamentos a longa data? – A sustentabilidade é uma bandeira necessária emergente no cenário pós-moderno. Caso destoemos deste princípio em primazia de projetos de descontinuidades estaremos com nosso futuro comprometido e este fundo de aposentadoria vem sendo alvo de onerações históricas por parte de vários gestores.

·  Por que não implementarmos uma política de valorização da tríade: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO a ser delineada na formação docente e discente enquanto agentes pesquisadores e criadores de conhecimento e retorno social? – A tríade mencionada além de promover um salto qualitativo, trará como benefícios também o desenvolvimento das nossas comunidades em cenário nacional, quiçá, internacional.

·    Por que não discutirmos uma CAMPANHA SALARIAL DIGNA? – Não existe a valorização, a qualificação (em sentido múltiplo), tampouco um retorno social de excelência quando os profissionais que constituem esta carreira sentem-se detentores de atividades laborais sub-empregatícias no plano salarial. Ser educador não deve ser considerado enquanto mera ocupação, emprego, trabalho, tampouco subemprego. Há que se pensar numa carreira justa que não prescinde da recepção de salários dignos. Educação não é despesa. É investimento...

·   Por que não se discutir o destravamento do auxílio para os educadores que estão sendo formados pelo programa Plataforma Freire, que é necessário haja vista a despesa dos mesmos para deslocamento, estadia e alimentação? – É muito difícil sentir-se valorizado numa via de doação sem recepção.

·    Por que não avivarmos a discussão e celeridade acerca da eleição para gestores escolares já enunciada na Lei Orgânica Municipal desde 1990 e contemplada no texto da Lei 08/2011 (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração do Magistério Público Municipal)? – Governos que pensem numa Gestão em Rede com fundamento holístico, buscam desvincular-se da política de donativos de cunho clientelista e patrimonialista e almejam descentralizar o processo gerencial. Sejamos este governo!

Poderíamos passar horas e até dias a discutir o que temos, o que queremos e o que é viável, porém não se almeja o desvio do foco das atenções que esta epístola objetiva e assim restrinjamos o que aqui se pretende por esta missiva.

Onde há fumaça, sinaliza-se incêndio e neste caso a coivara é imensa. Mais de 400 professores citados no objeto de uma sindicância da Secretaria de Educação deste Município é o objeto de motivação aqui delineado. Sindicância esta feita à revelia do conhecimento das partes envolvidas, ferindo o princípio da PUBLICIDADE, sinalizando a possibilidade de subtrair enquadramentos (alteração de carga horária de 20 para 40h), regularizações e remoções.

Fica um questionamento: se há reivindicadores que merecidamente sinalizam o sentimento de injustiça por não terem sidos contemplados com estes benefícios e, se estes reivindicadores representam apenas 6 pessoas cujas todas considero merecedoras, diga-se de passagem, por que não buscar uma alternativa para contemplá-los ao invés de num profundo contrassenso sinalizar o comprometimento vital dos demais envolvidos? Por que não então se promover a celeridade no processo de municipalização das 3 escolas de ensino que passarão da competência do estado para Campo Formoso? Tendo em vista serem escolas das séries finais do Ensino Fundamental, o que por turma já comtempla quase totalmente a necessidade de aulas de um professor de 40 horas já resolveria o problema com grandes sobras de vagas.

Robin Hood está vivo? Está equivocado? Justiça Classista se faz tirando os direitos de uns em proveito de outros ou promovendo a extensão destes a todos que assim os merecerem? Caso esteja errado preciso rever os meus conceitos de classismo, cidadania e política educacional.

É preciso sairmos do plano verbal das falácias, do propagandismo, dos vazios, do documentalismo (letra morta) e da política de opressão e papel.

Caso contrário, insisto em dizer, configurar-se-á um movimento que transita entre o retrocesso e a paralisia da nossa carreira...

Volto também a dizer que direito classista tem que ser cláusula pétrea no sentido de não redutivismo e a carreira de professor tem que ser mais bem respeitada.

Atos deletérios ou redutivistas para o professor são também atos suicidas por parte de quem se interessa plenamente pela educação, se este for o caso, e homicidas para com o retorno social.

A título de registro e ao contrário do que se vem propagando à boca miúda, direitos que ferem em redução para alguns, mas que em letra de lei possam ser estendidos a todos, o que não é o caso em tese, não podem ser tomados enquanto direitos individuais, haja vista a possibilidade da extensão a maiores contingentes.

Neste cenário é necessário desvincularmos de pseudo-projeções de poder, de atitudes narcisistas, pois tudo e todos passam e o que nos resta enquanto patrimônio profissional é a nossa CARREIRA.

CONHECIMENTO é um elemento de suma importância e não deve ser objeto narcisista, ostentador de vaidade e sectarismos alienantes. Acima deste está a SABEDORIA. Conhecimento é matéria-bruta, arma de alto poder destrutivo na mão de quem dele faz mau uso. Sabedoria é matéria aperfeiçoada. Convertamos conhecimento em sabedoria, em primazia do crescimento classista.

A materialização dos anseios desta classe não deve ser moldada pelo alienante estigma da nulidade da própria classe num processo auto-predatório de canibalismo social massificado.

“Quem sabe faz a hora e não espera acontecer.” Façamos a nossa hora sem os canhões, sem a falácia, sem as generalizações... Plantemos flores...

 Fica a reflexão, as perspectivas e o anseio de extinção da vulnerabilidade cidadã...


Campo Formoso, Bahia, Terra das Esmeraldas, das Grutas, do Sisal, dos Minérios e, quiçá, da Emancipação do Magistério, 10 de Maio de 2013.


Atenciosamente,









Prof. Adriano Pereira.
1 Professor da Rede Municipal de Ensino de Campo Formoso desde 2002.


domingo, 18 de março de 2012

Greve Nacional do Magistério entre a Paralisia e a Ação: apontamentos de Cristovam Buarque.


Reflexo de atitude contumaz na República da Federativa do Brasil, a Lei 11738/2008 (Lei do Piso Salarial Nacional do Magistério), encontra-se na inércia frente ao seu descumprimento desde que fora sancionada, portanto instituída legalmente.


Em face de um cenário lesivo ao professor a deflagração de movimentos em defesa da Valorização da Educação no Brasil vem ganhando as ruas mediante atos mobilizatórios de Paralisação e Greve em busca do cumprimento da legalidade e do avanço da educação, instrumento essencial para o desenvolvimento nacional.
Histórico defensor e entusiasta da Valorização da Educação Nacional, o Senador Cristovam Buarque (PDT - DF) em pronunciamento no Senado Federal nesta sexta - feira (16/03), ao discorrer acerca da Greve do Magistério fez um relato de acato parcial da mesma ao defender os motivos e criticar parcialmente como negativos os métodos que segundo o parlamentar são de insatisfatória abrangência quando se postula como ponto metodológico a paralisação das aulas como um todo.
Cristovam numa crítica sugestiva acenou para a essencialidade de um movimento de cunho mais corporativo e integrador das diversidades não em números de docentes em mobilização, mas sim que conjugue a participação de outras categorias profissionais, haja vista que a formação destes passou e passa por meio da instrução formal, bem como dos pais de alunos, tendo em vista que também é interesse destes a promoção de uma educação de maior qualidade para os seus filhos.
Nas entrelinhas Buarque relatou que os governos refletem historicamente sua insensibilidade frente à qualidade da oferta de ensino, o que elucida a inercia dos mesmos frente ao cumprimento dos dispositivos legais de valorização docente, pontuando que a paralisação de aulas, apesar de ser um instrumento de que dispõe a categoria, se evidencia como uma atitude também lesiva aos discentes, como uma atitude incipiente para a resolução da causa do Magistério.
A título de exemplo, o parlamentar convocou a classe educacional à deflagração de movimentos de maior notoriedade e visibilidade tal como invadir obras para a Copa do Mundo de 2014 a ser realizada no Brasil ou movimentos similares, peculiarmente à diversidade brasileira.
É nítida neste contexto a acentuada subvalorização dada à educação, tendo em vista que uma paralisação dos operários da Copa, no cenário atual, seria de maior relevância para o Governo que a causa educacional.
Elucida-se o quão a educação nacional ainda é um objeto retórico, que mais serve para a discursividade demagógica que para a promoção real qualitativa e potencializadora do progresso da sociedade brasileira.
Neste sentido, urge que a causa educacional não seja tão somente uma bandeira docente, mas social. Que o professor seja visto como um profissional a serviço do desenvolvimento contributivo para o progresso da nação e não somente como um profissional do ensino.
Que a nossa causa seja prioritária e defendida pela sociedade como um todo, engajada com a classe em prol de um país com mais justiça, equitatividade e cidadania.
Não deixemos que a educação se transforme num aparelho ideológico do Estado, pois disto decorre uma sociedade também aparelhada ideologicamente pelo domínio centralizador e subjugador estatal.
Em síntese é notória um convite à reflexão de uma causa que não é isolada, mas social: a Valorização da Educação é uma bandeira da sociedade brasileira na íntegra.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Escolhas e Renúncias





Eis um fundamento para o livre-arbítrio: 
A vida é feita de escolhas e em cada escolha residem renúncias. Portanto eis que cuidadosas sejam as escolhas em observância ao peso das renúncias que nela se inserem.

sábado, 15 de outubro de 2011

15 de Outubro – Dia do Educador



Serás Professor?


Eu professo, tu professas, ele professa, nós professamos...

Mas... Quem educa?
Tal qual enciclopedicamente enuncia o termo, seria o atributo essencial do docente: o professar, propagar, proferir, atuar...?
Ensino e Educação, Professor e Educador, são terminologias quecada vez mais se distanciam em tempos hodiernos.
A nova sociedade anseia por novos perfis e atitudes a serem delineadas num repensar e reestruturar a educação em sua amplitude.

Quão importante é o ofício docente que possibilita a consolidação de uma sociedade mais justa e igualitária.

Arauto da cidadania, o educador ultrapassa os desígnios do ensino e numa prática holística ingressa na educação, por meio da tentativa de compreensão do sujeito social em sua amplitude...

Educar é possibilitar novos olhares...

È renovar velhos conceitos...

É primar pela humanização...

É conjugar-se no outro numa atitude de reciprocidade e integração...

É sobretudo doar-se na dialética da complementaridade, onde o ofertar é convergente ao receber...



Adriano Pereira
(adrianno.pereira@hotmail.com)

domingo, 22 de maio de 2011

Profª. Amanda Gurgel e a síntese de um descaso: O contraponto entre o discurso versus realidade na educação brasileira

A educação brasileira, objeto tão propagado enfaticamente enquanto elemento prioritário de bandeiras de campanhas político-partidárias, sobretudo e de fato unicamente, tendo em vista sucessivas perpetuações de poder, gradativamente vem despindo-se e revelando o contraponto entre o discurso de palanque e o depauperamento da realidade.
Contemporaneamente, a educação vem ganhando destaque e notoriedade no cenário político brasileiro, o que não se efetiva enquanto valorização, haja vista o caráter sub-empregatício que vem sendo dado ao Magistério, sobretudo no Ensino Básico, que em sua nomenclatura, por si só, deveria ser constituído e consolidado enquanto prioridade também básica nos planos governamentais.
Valorização do Magistério, melhoria na infraestrutura e qualidade educacional , pautas frequentes do sensacionalismo demagógico, frente ao descompasso daquilo que de fato se consolida no cenário real, revelam a antítese do que se prega em relação ao que se faz.
Retrato nítido e sintético deste cenário, o depoimento proferido pela Profª Amanda Gurgel, do Rio Grande do Norte, porta-voz do descontentamento nacional da categoria do Magistério, ilustra enfaticamente a depauperação porque passa a tão proferida "prioridade nacional".
Em face de um cenário tão irrisório e contraditório, é salutar que a melhoria da educação escolar brasileira seja bandeira prioritária de luta não apenas de discentes e docentes. A educação é um bem comum para toda a sociedade.
É tempo de desvendamentos e rupturas com os discursos fundamentalistas. O Brasil precisa de mais Gurgéis, tanto no plano discursivo, quanto organizacional. Urge que haja um movimento nacional iniciado por uma conjuntura classista que vislumbre a qualidade educacional integralizada; que destoe do caráter de valorização fundamentado em índices quantitativos, mas que vise à valorização de discentes e docentes em paridade e integralidade.
Sejamos Gurgéis, desvelemos o velado e semeemos um futuro melhor para a nossa sociedade.

Adriano Pereira
( adrianno.pereira@hotmail.comEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )



Depoimento da Profª Amanda Gurgel que retrata a síntese do descompromisso político para com a educação brasileira.



quarta-feira, 30 de março de 2011

Pífio Maquiavelismo


Os fins justificam os meios?


Nunca na história deste país a educação brasileira esteve tão rendida a paradigmas tal qual na era atual. Diversidade, valorização da heterogeneidade e educação contextualizada tendo como focos apriorísticos de ponto de partida o reconhecimento de que vivemos numa nação em que a pluralidade é marca intangível, vêm se tornando argumentos estanques frente aos moldes avaliativos que destoam desta pluralidade ao avaliarem padronizadamente os educandos do Oiapoque ao Chuí.

A educação brasileira, voltada aos interesses mercantis do estado, que visa prioritariamente a alcance de índices que nos equipare a países dos quais distanciamos anos-luz em termos de valorização educacional e social, vem absorvendo de maneira pouco contestada a submissão a padrões avaliativos formulados para mensurar com um olhar corretor/centrista uma realidade educacional diversa em termos de contextos e culturas.

No presente cenário, é consensual sobretudo entre os burocratas, que infelizmente são quem norteiam a educação neste país no plano institucional, enxergam qualidade educacional vinculada ao atendimento de índices tais como Prova Brasil, Enem e conseqüentemente IDEB enquanto metas a serem atingidas, porém deixam de lado em grande parte dos casos o atendimento social e humanitário que engloba não apenas o oferecimento de vagas e avaliação dos cursistas, mas condições que visem a permanência e ao sucesso escolar, tais como: investimento em infra-estrutura e valorização dos profissionais do magistério.

“Os fins justificam os meios”. Como os índices de desenvolvimento educacional de um país tem como foco principalmente o desempenho discente, os meios utilizados para promover este teatralismo meramente ilustrativo vêm servindo para a perpetuação da maquiada e maculada realidade educacional brasileira.

Enquanto isso aos educadores em conformidade com o modelo cabe a absorção do ônus.

Quanto ao bônus...



Adriano Pereira

( adrianno.pereira@hotmail.com )

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Bullying: um novo conceito, um velho problema...

"Se o comportamento agressivo não é desafiado na infância, há o risco de que ele se torne habitual. Realmente, há evidência documental que indica que a prática do bullying durante a infância põe a criança em risco de comportamento criminoso e violência doméstica na idade adulta."



Contemporaneamente a temática bullying vem ganhando espaço na mídia a nível mundial, sendo sempre alvejado de comentários de cunho negativo, causando inquietações nos diversos segmentos sociais que se deparam em seus cotidianos com relações vinculares sendo maculadas por atos agressivos de variadas faces que se graduam desde sutis ofensas pejorativas até atos de cunho criminoso.

Sendo caracterizado essencialmente como atitudes que visam ao exercício e/ou à manutenção de domínio compulsório entre sujeitos, o bullying, assume variações que podem caracterizá-lo como direto, quando atinge a vítima sem meios intermediários e também indireto, quando visa à ridicularização e/ou segregação social do vitimado por meio de críticas de hábitos do mesmo ou proliferação de comentários negativos que venham a lhe comprometer o convívio social.

Assíduo frequentador dos ambientes de movimentado trânsito social, sobretudo e enfaticamente nas escolas, estas práticas sejam explícitas ou sutis partem, segundo pesquisas, em grande parte dos casos de indivíduos que sentem necessidade de se sobressaírem em determinados vínculos sociais e que buscam como meio para atingir seus objetivos a anulação de quaisquer atos de destaque de outras pessoas que façam parte de seu círculo social. Neste cenário de intimidações o autor do bullying, geralmente visa à depreciação e/ou ridicularização de quaisquer destaques por parte de outros que venham a lhe tirar do alvo das atenções.

São frequentes hábitos de Bullying:

* Insultar a vítima; acusar sistematicamente a vítima de não servir para nada.
* Ataques físicos repetidos contra uma pessoa, seja contra o corpo dela ou propriedade.
* Interferir com a propriedade pessoal de uma pessoa, livros ou material escolar, roupas, etc, danificando-os
* Espalhar rumores negativos sobre a vítima.
* Depreciar a vítima sem qualquer motivo.
* Fazer com que a vítima faça o que ela não quer, ameaçando a vítima para seguir as ordens.
* Colocar a vítima em situação problemática com alguém (geralmente, uma autoridade), ou conseguir uma ação disciplinar contra a vítima, por algo que ela não cometeu ou que foi exagerado pelo bullying.
* Fazer comentários depreciativos sobre a família de uma pessoa (particularmente a mãe), sobre o local de moradia de alguém, aparência pessoal, orientação sexual, religião, etnia, nível de renda, nacionalidade ou qualquer outra inferioridade depreendida da qual o bullying tenha tomado ciência.
* Isolamento social da vítima.
* Usar as tecnologias de informação para praticar o cyberbullying (criar páginas falsas sobre a vítima em sites de relacionamento, de publicação de fotos etc).
* Chantagem.
* Expressões ameaçadoras.
* Grafitagem depreciativa.
* Usar de sarcasmo evidente para se passar por amigo (para alguém de fora) enquanto assegura o controle e a posição em relação à vítima (isto ocorre com frequência logo após o bullying avaliar que a pessoa é uma "vítima perfeita").
* Fazer que a vítima passe vergonha na frente de varias pessoas.

Atos tais os quais descritos pelas razões acima arroladas, fazem da importância do ato de educar, não somente necessário e fundamental, mas nobre, haja vista ser a educação o elemento basilar para se atingir a dignidade humana, por meio de uma convivência solidária, humana, visando ao patamar da equidade e moralidade.

À pratica educativa e aos educadores lato sensu, permeados pelas práticas pedagógicas e sensível ao caráter afetivo cabem a missão de promover uma sociedade mais justa, por meio de uma formação humanística equitativa, solidária, sustentável e humana.

Eduque para a prevenção, para não ser preciso uma educação para a punição!

Adriano Pereira da Silva

( adrianno.pereira@hotmail.com)


Referências


* ? O que é Bullying? em bullying.com.br
* The Harassed Worker, Brodsky, C. (1976), D.C. Heath and Company, Lexington, Massachusetts.
* Anti-Bullying Center Trinity College, Dublin.



Indicação de Filme: Bullying: Provocações sem Limites.