Qual o maior fosso existente entre a humanidade?
A natureza humana é predominantemente relacional, circunstância compulsória até mesmo pelo lado biológico heterotrófico, que nos concebe enquanto seres dependentes integralmente do meio para a subsistência e sobrevivência da espécie.
Analisando a questão relacional do plano social, somos seres gregários, pois construímo-nos mutuamente enquanto humanidade através da interação.
Retomando a questão que inicia esta discussão e diante das assertivas supracitadas, em uma análise geral é constatável que o maior fosso entre a espécie humana é indubitavelmente a falta de humanitarismo, condição que se amplia e ganha maiores proporções contemporaneamente.
Isolacionismo, egocentrismo, egoísmo formam o tripé do ismo que sedimenta esse distanciamento, o que se verifica consolidado pelos preconceitos e estereótipos difundidos cotidianamente entre a espécie em tese.
O gênero humano é marcado pela heterogeneidade, porém esta não é devidamente aceita, apesar de ser tão difundidos a equidade e o igualitarismo até mesmo nos direitos humanos, direitos e condições essenciais infringidos pelos mesmos que deles deveriam se beneficiar.
Neste cenário de reflexos superficiais prevalece a legalização e o faz-de-conta que somos seres equitativos, que primamos pelo respeito às diferenças, ao passo que na prática os apartheids sociais e étnicos, ainda se configuram como prática comum, porém sublimada.
Cotidianamente são erguidos muros onde deveriam haver pontes...
Mas oque é necessário?
Neste mundo de tantos desencontros, inclusive autodesencontros, é necessário à espécie humana viver humanitariamente; viver em harmonia com o meio e com seus congêneres e intersubjetivamente promover nao uma relação igualitária, mas equitativa, primando não somente pelo respeito, mas também pela convivência com as diferenças.
Respeitar sem conviver (viver conjuntamente) é pseudo - respeito: perpetua a exclusão e ergue muros intransponíveis.
É preciso romper barreiras que nos torna tão superficialmente humanos, portanto desumanos.
Adriano Pereira da Silva