domingo, 18 de março de 2012

Greve Nacional do Magistério entre a Paralisia e a Ação: apontamentos de Cristovam Buarque.


Reflexo de atitude contumaz na República da Federativa do Brasil, a Lei 11738/2008 (Lei do Piso Salarial Nacional do Magistério), encontra-se na inércia frente ao seu descumprimento desde que fora sancionada, portanto instituída legalmente.


Em face de um cenário lesivo ao professor a deflagração de movimentos em defesa da Valorização da Educação no Brasil vem ganhando as ruas mediante atos mobilizatórios de Paralisação e Greve em busca do cumprimento da legalidade e do avanço da educação, instrumento essencial para o desenvolvimento nacional.
Histórico defensor e entusiasta da Valorização da Educação Nacional, o Senador Cristovam Buarque (PDT - DF) em pronunciamento no Senado Federal nesta sexta - feira (16/03), ao discorrer acerca da Greve do Magistério fez um relato de acato parcial da mesma ao defender os motivos e criticar parcialmente como negativos os métodos que segundo o parlamentar são de insatisfatória abrangência quando se postula como ponto metodológico a paralisação das aulas como um todo.
Cristovam numa crítica sugestiva acenou para a essencialidade de um movimento de cunho mais corporativo e integrador das diversidades não em números de docentes em mobilização, mas sim que conjugue a participação de outras categorias profissionais, haja vista que a formação destes passou e passa por meio da instrução formal, bem como dos pais de alunos, tendo em vista que também é interesse destes a promoção de uma educação de maior qualidade para os seus filhos.
Nas entrelinhas Buarque relatou que os governos refletem historicamente sua insensibilidade frente à qualidade da oferta de ensino, o que elucida a inercia dos mesmos frente ao cumprimento dos dispositivos legais de valorização docente, pontuando que a paralisação de aulas, apesar de ser um instrumento de que dispõe a categoria, se evidencia como uma atitude também lesiva aos discentes, como uma atitude incipiente para a resolução da causa do Magistério.
A título de exemplo, o parlamentar convocou a classe educacional à deflagração de movimentos de maior notoriedade e visibilidade tal como invadir obras para a Copa do Mundo de 2014 a ser realizada no Brasil ou movimentos similares, peculiarmente à diversidade brasileira.
É nítida neste contexto a acentuada subvalorização dada à educação, tendo em vista que uma paralisação dos operários da Copa, no cenário atual, seria de maior relevância para o Governo que a causa educacional.
Elucida-se o quão a educação nacional ainda é um objeto retórico, que mais serve para a discursividade demagógica que para a promoção real qualitativa e potencializadora do progresso da sociedade brasileira.
Neste sentido, urge que a causa educacional não seja tão somente uma bandeira docente, mas social. Que o professor seja visto como um profissional a serviço do desenvolvimento contributivo para o progresso da nação e não somente como um profissional do ensino.
Que a nossa causa seja prioritária e defendida pela sociedade como um todo, engajada com a classe em prol de um país com mais justiça, equitatividade e cidadania.
Não deixemos que a educação se transforme num aparelho ideológico do Estado, pois disto decorre uma sociedade também aparelhada ideologicamente pelo domínio centralizador e subjugador estatal.
Em síntese é notória um convite à reflexão de uma causa que não é isolada, mas social: a Valorização da Educação é uma bandeira da sociedade brasileira na íntegra.